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25.12.06

é do natal


é do natal, originally uploaded by neftos.

Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

19.12.06

perdida ou esquecida?


perdida ou esquecida?, originally uploaded by neftos.

Prendas conscientes e o mais úteis possíveis. Um mini mini tripé para ajudar quando há pouca luz. Mais um livro, outro livrinho, umas lãs e umas iguarias. Pelo meio A Cidade Genérica. Com o frio a apertar não largo as agulhas e as mantas. Quinta-feira vamos as duas para Silves e no Domingo o Hélder. Estamos desencontrados. Passagem de ano? Oh, nem sei nem quero saber. Ou melhor, logo se vê. Há sempre a alternativa do ano passado, por Lisboa em pleno Martim Moniz e a correr. Mas o que queria mesmo era ir até à vizinha Espanha uns dois ou três dias. Ideias nunca me faltam e a concretização das mesmas deve andar lá nos cinco porcento. Ideias... agora anda a vontade da animação, da costura e do diy (fico a pensar em moldes e modelitos). Máquina de fazer pão e de costura são bem-vindas.

25.11.06

amador sem coisa amada


amador sem coisa amada, originally uploaded by neftos.

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.

António Gedeão

24.11.06

no monte


monte, originally uploaded by neftos.

Se actualmente trabalhasse, estaria de baixa para introspecção. Como não trabalho mas tenho muito trabalho, lá vou trabalhando.
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Estamos quase no fim da semana bio. Fico contente por, cada vez mais, os hipermercados e pequenas mercearias conterem estes produtos. Falo, por exemplo, do Jumbo de Alfragide. Quando não consigo ir à feirinha contento-me com os produtos desde-há-muito-nas-prateleiras dos hipermercados. Desta vez foi diferente, agrada-me olhar para o frigorifíco e fruteira e ver tudo biológico. O preço? Nem noto se é realmente mais caro, a quantidade que compro nunca é muita e dura muito mais tempo até ficar pronta-para-ir-para-o-lixo. São muitas as vantagens de se comer biológico e eu já aderi por completo.
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Gosto da arte nova, da arte deco e por isso ainda hei-de comprar este livro. Após um olhar mais atento, alguns desses livros entraram directamente para a minha wishlist. Ainda hei-de publicá-la ou torná-la pública e pode ser que apareça debaixo de alguma árvore.

24.10.06

para estes dias

Tanta chuva faz-me não ter vontade para nada. Mesmo assim, deu para rever O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Antes de ver o filme, pela primeira vez, já há muito que ouvia a fabulosa banda sonora, da autoria de Yann Tiersen. Não sei se foi por gostar muito da música, mas gostei muito do filme. Todos aqueles pormenores transloucados fascinam-me. Gosto da forma como Jean-Pierre Jeunet apresenta cada momento, já para não mencionar os cenários. Lindos, lindos.
Mais um livro a ler e a comprar (whislist): As Flores do Mal, de Charles Baudelaire.
A não perder, durante esta semana, na 2: Imagináfrica. Terminou agora e foi sobre a histórias da música popular angolana. Segue-se Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Princípe e Moçambique.

27.9.06

mais livros


livros, originally uploaded by neftos.

Uns a ler,
Outros por ler,
E ainda, outros por arrumar.

de volta às agulhas



Agora já apetece agarrar nas agulhas. Este projecto - bolsa para a cintura - está a demorar mais tempo do que o desejado. Entretanto meteu-se no Verão, aquelas noites quentes. Ainda tentei levar para a praia, mas rapidamente as agulhas escorregavam-me das mãos. Gosto da junção das duas cores e acho, que davam uma camisola bem bonita.



Ando ainda em pequenas alterações cá por casa. Quero organizar os meus livros por categoria. Por vezes, vou encontrar um livro de tricot no meio de outros de arquitectura. Se bem que, para já, a minha biblioteca ainda vai bem pequena, mas há-de crescer.
Depois de me ensinarem o básico do tricot, tentei logo encontrar algum livro que me apoiasse, com boas imagens para que conseguisse inverte-las mentalmente (sou canhota e trabalho com as agulhas ao contrário). O pior é mesmo o crochet, mas também hei-de conseguir!
O tricô em 10 lições (comprado via webboom) foi o que mais me ajudou (e ainda ajuda). Só mais recentemente comprei O grande livro dos lavores, por um preço espectacular num alfarrabista aqui da rua.
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E o blog ainda continua em tons de azul. Mas hoje prometi a mim mesma que não ia mexer no template, fica para amanhã. Hoje é para ler!




30.7.06

de férias

Que bem que me têm sabido estes dias de praia e descanso. Mesmo assim, ainda tenho os sonos desregulados.
É bom não ter nada de muito sério para pensar. É bom não ter de pensar no que-fazer-de-jantar. É bom não ter de pensar em limpezas. É bom voltar a ser filha a tempo inteiro e não dona-de-casa. Assim, já posso pintar as unhas das mãos, sem correr o risco de, passadas algumas horas, o verniz já estar a sair. A minha máquina fotográfica não tem parado, e como infelizmente, ainda não tenho o portátil operacional, não tenho como descarregá-las.
Hoje foi a retoma oficial das leituras suspendidas. Na mala trouxe uns quatro livros para ler nas férias (um deles em inglês, que irá demorar um pouco mais tempo). É incrível, mas não consigo resistir a um bom livro com preço reduzido. Compro-o. E hoje, comprei mais um. Tenho de o registar.
Amanhã é domingo e queria ir a outro sítio, a outra praia e tirar outras fotografias, se bem que para ele, as praias são todas iguais. Pensei num dia fora, lá para os lados de Olhão ou Tavira (quem sabe se Faro).
Entretanto, dos objectivos enumerados, ainda não fiz nada (nem sequer mandar arranjar o portátil). No outro dia, com saudades, comecei a tricotar à parva, com um novelo made in china e comprado numa loja chinesa (nem tão cedo vou voltar a pisar outra loja dessas). Como ideias não me faltam, vou aproveitar para gastar os restos dos novelos que tenho, para fazer uma bolsinha para as imensas agulhas de tricot e crochet que tenho (herdadas/ emprestadas pela minha mãe). Antes de ir para os Açores, queria começar a mala para a cintura (tenho alguma urgência).

17.6.06

olaria

Ainda por Aveiro. Na outra noite fui ao Olaria. Uma antiga fábrica de cerâmica, em Aveiro, que foi transformada/ recuperada. Tem restaurante, tem bar, tem jazz, tem vistas lindas, tem pormenores interessantes, tem auditório. Infelizmente, como era de noite, as fotografias não saíram lá grande coisa. Tenho de lá voltar de dia.
Andava a ler alguns blogs, quando me deparei com este... lindo. Lembrei-me que tenho um livrinho de costura onde aparecem muitos quils, de vários países, de vários feitios e gostos.
Por falar em blogs, terminou um que costumava ler, quase desde do início. Terminou com um simples, ponto... final!

Gostava de reformular o template do blog, mas não sei como fazê-lo (nem tenho tempo para isso, para já). Tenho de pôr uma secção com as Categorias.

As gravuras também exitem no Flickr.

Vou parar por aqui hoje. Vou agarrar no Leão Velho da Lídia Jorge (oferta da Fnac) e lê-lo. Tenho de o registar no bookcrossing.

6.6.06

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

29.5.06

da surdez à opressão

Mais um dia de muito calor. Gosto de calor mas assim não. Se pelo menos tivesse na praia, não me preocupava tanto. Agora assim, em plena cidade de Lisboa e com trabalho, nem apetece. Ao fim do dia, tive de ir abastecer o meu frigorífico. Fui ao Continente! :| No meio da remodelação, já não encontrava a farinha (com fermento). Pergunto ao repositor mais próximo. O repositor mais próximo era surdo. Por gestos, perguntei-lhe se sabia ler nos lábios, mas não!! Decidi tirar a caneta e escrevi somente farinha. "ahh, ao fundo do corredor!" Agradeci com um longo sorriso e um gesto.
Depois fiquei a pensar... que bom que não o recusaram só por ser surdo. Fiquei mesmo contente por tal. As mentalidades começam a mudar. Assim, pelo menos, consegui esboçar um sorriso aquando desta
árdua tarefa (compras no Continente e ainda por cima, sózinha).

E porque estamos quase no Verão, preciso de repensar na minha franja (morro de calor), ou melhor, repensar no cabelo todo (está enorme); mudar o meu calçado para algo confortável e muito muito arejado; pensar o que quero fazer, novos projectos em mente (?), que nada têm a ver com faculdade; arrumar a roupa de Inverno; e muitas outras coisas só porque estamos quase no Verão.

Desde da minha ida à Feira do Livro, que ando num busca, pela internet, por
gravura. No secundário, tive uma experiência com linóleo. Foi inesquecível, consegui furar os dedos com as goivas, mas azares à parte, achei essa expriência muito gratificante. Talvez a repita, em breve. Não sei, logo se vê. Enquanto isso, vou continuar a aprofundar os meus conhecimentos.

Queria ir dormir, mas não sem antes ver o documentário (na 2) sobre a China - Mao Tsé Tung. Tenho particular interesse neste tema. No Verão passado li muito acerca da história da China. Chorei muito também. Vai começar... vou ver

28.5.06

a reutilizar o público

Ontem tivemos o prazer de ir à Queima das Fitas em Évora, a pedido de uma grande amiga. Estava um calor horrível. Mesmo assim, ainda conseguimos manter-nos de pé até à hora da banhoca... gostei muito. PARABÉNS!! Muita sorte. E espero que a fita sempre chegue, senão vais ter mesmo de ficar com o catálogo do Carrefour...

Com muito calor mas lá fomos à Feira do Livro. A temperatura e o cansaço não nos deixou ver tudo como queria.
De regresso a casa, foi só agarrarmos um calendário e fazer soar frases como "se tudo correr bem..." "entro de férias em...". O melhor é esperar, aproveitando da melhor forma os dias, para que os ses se transformem em realidade.



Na sexta-feira para me acalmar e para fazer o relógio avançar, decidi desenhar e pintar, para reutilizar a pilha de públicos.




18.5.06

'El fiasco Da Vinci'

Avizinham-se tempos difíceis, pelo menos até dia 26 deste lindo mês de Maio. Não consigo prever a minhas assiduidade por estas bandas.

Notícia mais falada em todo o mundo?
A estreia d'O Código Da Vinci. Tentei ler o livro. Movida pelas críticas, lá comprei o livro e comecei a le-lo. Foi, ainda nas primeiras páginas, que me fartei, perdi o entusiasmo, não tinha aquela vontade de saber o que ia acontecer a seguir. E, com isto, meti-o de lado. Até o registei no bookcrossing, qualquer dia vou libertá-lo.
Se bem me lembro, só houve dois livros que deixei a meio, por falta de pachorra/ motivação para os ler, Os Maias e O Código da Vinci. Mesmo agora, tentei ver um documentário, na Dois, acerca do código. Nos primeiros 20 minutos, tirei o som dá televisão. Fartei. Será que vale a pena ir ver o filme? Vou na mesma, mas não vou sair da sala!!! Desta vez vou aguentar.
Acabo de ler no El Mundo, 'El fiasco Da Vinci'
...

Desliguei a televisão. Vou adormecer a pôr post-its e mais post-its nos infindáveis DL's.

12.5.06

Em Lisboa

Voltei à biblioteca, só que hoje trouxe Paula. Daí retirei, (porque gostei e já o constatei):

A minha vida faz-se ao contá-la e a minha memória fixa-se com a escrita; o que não ponho em palavras no papel, o tempo apaga-o.

Tinha uns 10 ou 12 anos, quando decidi ler um dos meus diários, lembrava-me de tudo, de todos acontecimentos, porque pus as palavras no papel. Nunca gostei de ler o que escrevi, sentia-me sempre ridícula. Ainda o sinto.
Parece um conto infantil? E daí, qual o mal? Não me chateio, desde que não me obriguem a ler o que escrevi.
Também não gosto de ler um livro pela segunda vez, o mesmo acontece com um filme...já vi The Beach e vai voltar a dar. Perde toda a piada, a emoção e o entusiasmo.

Já tinha decidido a ir este fim de semana a Beja, não vou. Em vez disso, fico por cá e aproveito para cozinhar (para descontrair) com
outros produtos. Vou-me meter dentro do 58 e rumar ao Principe Real, logo pela manhã. À tarde, quem sabe, talvez vá ao Castelo de São Jorge. Sempre sózinha. Só fui ao castelo uma vez, desde que estou cá. Gosto muito de Lisboa.

Gosto muito de Lisboa.