29.11.09

por aqui vou dar às portas do sol?

{este foi o trabalho que entreguei para o módulo de fotografia de autor}

por aqui vou dar às portas do sol?

a partir da mesma pergunta abordei alguns moradores de alfama, num domingo de manhã. esta primeira abordagem definiu-me como mais uma turista perdida pelo bairro de ruas tão iguais e à procura de um miradouro, de um ponto turístico. seguiu-se, de todas as vezes, uma breve explicação do percurso a fazer até ao destino (umas mais detalhadas do que outras). depois deixei-me ficar diante da pessoa à espera que a conversa fluísse naturalmente. registei*, ouvi e acompanhei o assunto, deixei que a minha pessoa guiasse a conversa. foi interessante perceber os diversos temas abordados, o tempo médio de conversa e as perguntas que fizeram tendo como ponto de partida a forma como estavam a ocupar aquela manhã. após alguns minutos de diálogo e já como despedida voltei a abordar a pessoa.

posso fotografá-lo?

[* o meu registo: a resposta à pergunta 'por aqui vou dar às portas do sol?'. o assunto da conversa. o tempo médio da conversa. e o que estava a fazer naquele domingo de manhã.]

por aqui vou dar às portas do sol?
‘sim’ (a acenar com a cabeça). apenas um cumprimento. menos de um minuto. estava a trabalhar na mercearia.

por aqui vou dar às portas do sol?
‘suba as escadas, siga em frente e vire à esquerda’. fotografia, apareceu numa revista ao lado de um apresentador conhecido. cerca de dez minutos. esperava pela hora do almoço e apanhava sol no pátio em frente de casa.

por aqui vou dar às portas do sol?
descrição detalhada do percurso. os turistas em alfama. cerca de cinco minutos (o tempo de fumar um cigarro). passeava com a criança enquanto fumava um cigarro.

por aqui vou dar às portas do sol?
‘se continuar a subir chega à rua do eléctrico. a partir daí é fácil’. o tempo, o calor nesta altura do ano. cerca de cinco minutos. estavam sentados em frente do café do amigo, numa pausa descontraída do trabalho.

por aqui vou dar às portas do sol?
‘é já ali, é só subir as escadas’. a mudança para a hora de inverno e do facto de ter almoçado antes das onze da manhã, por engano. cerca de dez minutos. apanhava sol enquanto esperava pela visita de alguns familiares e da vizinha (que ocupa a cadeira ao lado).

por aqui vou dar às portas do sol?
descrição detalhada do percurso. o seu dia-a-dia como reformada; sobre comida, foi cozinheira em cantinas universitárias estatais. cerca de quinze minutos. preparava-se para levar a tarde a fritar rissóis e croquetes.

10 comentários:

  1. Essa é a parte da fotografia que mais gosto, fotografar pessoas. Mas meter assim conversa, acho que ainda é complicado para mim. :)

    ResponderEliminar
  2. tão bom este post. Que delícia. Parece que estamos a fazer o percurso contigo. Ao contrário da Sofia, comunicar com as pessoas seria para mim, a parte mais fácil. Adoro ouvi-las falar. Adorava ter tempo para percorrer assim núcleos históricos de máquina em punho e capacidade de registo sem fim.

    ResponderEliminar
  3. Que registo magnífico!
    O que uma simples pergunta consegue fazer.
    Terei de experimentar :)
    Gosto em particular da penúltima fotografia!

    ResponderEliminar
  4. :) que post delicioso!

    Mais que chegar às portas do sol, é bom que a sua luz ajuda a registar quem a porta do sol mora.

    ResponderEliminar
  5. Gosto moito do seu fotoblog, eu agrego ós meus favoritos. Se vôce quisser pasar a visitar o meu fotoblog, eu estou en http://milxeitosdeollar.blogspot.com.

    Obrigado

    ResponderEliminar
  6. É tão engraçado, quando se pergunta algo bastante directo como o caminho para... e acaba-se a ouvir algo completamente fora do contexto, e ainda bem que não se falou muito de doenças, porque nós, portugueses, somos peritos nesse tema!
    Gostei muito deste post!

    ResponderEliminar

Obrigada pelo comentário.